Ethevaldo Siqueira
Coluna do Estadão de domingo, 31 de julho de 2011
Dezenas de leitores me solicitam que volte ao tema da última coluna para esclarecer alguns pontos de minha entrevista com o ministro Paulo Bernardo, das Comunicações. É o que faço a seguir, com a convicção de que o ministro não irá anular a licitação comprovadamente viciada, decorrente do pregão 02/2010, da Telebrás, referente a dois projetos de obras de infraestrutura e fornecimento de equipamentos de fibras ópticas do chamado Plano Nacional de Banda Larga.
Depois de estudar por várias semanas o processo que passou pelo crivo do Tribunal de Contas da União (TCU), fui buscar as explicações do ministro das Comunicações sobre as dezenas de irregularidades apontadas pelos auditores, a começar do sobrepreço da ordem de R$ 121 milhões (reduzido, no acórdão final, para R$ 43 milhões).
Dever da imprensa
Diante de casos dessa natureza, cabe à imprensa fazer aos governantes aquelas perguntas que, talvez, cada cidadão brasileiro gostasse de fazer. Antes, porém, lembrei ao ministro que estava ali na única condição de jornalista que cobre esse setor há mais de 44 anos. Em seguida, de forma respeitosa, formulei a seguinte pergunta: “Ministro, não seria muito melhor que o senhor determinasse à Telebrás que fizesse nova licitação, absolutamente transparente, sem qualquer irregularidade, economizando milhões?”
Em lugar da resposta, o ministro preferiu encerrar a entrevista, com profunda irritação. Foi uma pena pois o diálogo até aquele momento havia sido absolutamente franco e sereno. Já me havia surpreendido, pouco antes, o fato de o ministro não estar plenamente informado sobre os pontos relevantes do processo concluído no TCU e, em especial, sobre o conteúdo do acórdão dos ministros daquele tribunal. Ele me havia dado ainda a impressão de que não sabia sequer da existência do inquérito aberto em junho pela Polícia Federal, ao redarguir: “Que inquérito?”
Por que o risco?
Minha maior perplexidade, no entanto, decorreu da insistência do governo, até aqui, em não anular a licitação viciada. Nada parece convencer o ministro Paulo Bernardo de que os contratos feitos com base no pregão 02/2010 poderão transformar-se em novo escândalo nacional.
Nos instantes finais da entrevista, mesmo de pé, destaquei ao ministro as razões que me parecem legítimas para uma questão de interesse público como essa, lembrando-lhe as vantagens da abertura de uma nova licitação – rigorosamente escoimada das dezenas de irregularidades apontadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Essa providência, observei, seria a única resposta séria e respeitável que o governo federal deveria dar à Nação, do ponto de vista ético. Ela eliminaria todas as suspeitas de corrupção que o episódio sugere, não apenas contra a estatal, mas, também, contra o Ministério das Comunicações e, claro, contra o governo Dilma Rousseff.
Nosso dinheiro
Estamos falando de dinheiro público, leitor. Quantas escolas ou hospitais ou outras obras essenciais poderiam ser construídas com R$ 121 milhões? Sobre uma eventual renegociação dos preços das obras e equipamentos, meu raciocínio é simples. Licitação superfaturada não se renegocia. Anula-se. E, com a maior transparência, abre-se nova concorrência, sem nenhuma irregularidade.
Mas a gravidade da questão não se restringe ao preço superfaturado de obras e equipamentos, embora ele seja, do ponto de vista econômico-financeiro, o aspecto mais grave e mais danoso aos cofres públicos. Acho que a questão ética deveria preocupar muito mais os governantes, pois o TCU apurou grande número de irregularidades na condução da licitação e do pregão 02/2010.
Esse caso poderá ter repercussões muito maiores e mais sérias, já que o processo poderá tomar novos rumos e novas proporções com o inquérito da Polícia Federal e a atuação do Ministério Público. Além disso, a Câmara Federal deverá ouvir nos próximos dias os principais envolvidos na licitação.
Dilma aprova?
O que dezenas de leitores têm perguntado, em e-mails que me enviaram nos últimos dias, poderia ser resumido noutra pergunta, que tem muita lógica e sentido: “Será a que a presidente Dilma Rousseff está disposta a correr mais riscos, especialmente depois dos episódios que envolveram o ex-ministro Antonio Palocci e os demitidos do Ministério dos Transportes?”
Ao longo da semana passada conversei com mais de 20 fornecedores que, por não haverem tomado conhecimento da licitação em tempo hábil, não puderam participar do pregão 02/2010. Ouvi, também, operadoras que contrataram obras e equipamentos na área de comunicações ópticas por valores muito inferiores. É claro que, tanto operadoras quanto fornecedores, só falam em caráter estritamente confidencial.
Por tudo que conhecia do passado do ministro Paulo Bernardo, eu apostaria que ele não hesitaria um instante em anular uma licitação altamente suspeita como essa, mesmo que os preços superfaturados em torno de R$ 121 milhões, apurados pelos peritos do TCU, fossem renegociados e reduzidos aos níveis de mercado.
Minha intuição estava errada. E me arrisco até a supor que todas as pessoas que conhecem a biografia do ministro das Comunicações sentem hoje a mesma perplexidade diante de sua insistência em defender a licitação contestada.
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segunda-feira, 1 de agosto de 2011
sexta-feira, 22 de julho de 2011
TREM BALA DE GROSSO CALIBRE - Roberto Macedo
Roberto Macedo - O Estado de S.Paulo
Há um enorme canhão armado pelo governo federal. Tem entre seus alvos as suas próprias finanças e o bolso do contribuinte. A munição tem grosso calibre, de 45 ou mais bilhões de reais, vários a título de subsídios, e é um projétil na forma de trem. A última tentativa de dispará-lo foi no dia 11, quando um leilão de outorga não teve interessados. Felizmente, mas a artilharia governamental já anunciou que vai insistir. Com seus fragmentos, a bala danificaria também a alocação eficiente dos recursos públicos e a equidade social.
Fora do círculo governamental e dos interessados e interesseiros em torno dele, predominam opiniões em contrário. Nos últimos dias, duas interessantes matérias neste jornal trouxeram opiniões de fora do País.
Uma no dia 4, a de Zhao Jian, professor da Universidade de Transportes da China. Eu não sabia da existência de uma universidade desse tipo e seria ótimo se antes de imitar trens-bala - para não variar, o Brasil não tem tecnologia para pôr um deles na linha - copiássemos essa instituição de ensino superior chinesa para termos melhores projetos de transportes. Temos um Ministério do assunto, mas, a julgar pelo noticiário recente sobre ele, é muito focado em desvios.
Esse professor mostrou que, em seu país, arma semelhante já fez vários disparos. O resultado será "uma crise de dívida", um rombo de US$ 309 bilhões que deve chegar a US$ 618 bilhões em quatro anos, já que "não há muitos trens e passageiros nessas linhas". Trata-se de um importante aspecto da questão, pois é preciso uma grande densidade populacional e econômica para que a vantagem da rapidez de um trem-bala compense seus enormes custos. Como outros, ele aponta a linha Tóquio-Osaka, no Japão, como bem-sucedida. Ela opera na distância de 500 km, em que os trens-bala podem ser competitivos relativamente ao avião, e numa região que concentra 60% da população do país, e ao longo de sua linha estão 64% do PIB nacional. Isso gera uma demanda que permite 160(!) composições por dia, que transportam cerca de 150 milhões de passageiros por ano, o que dá perto de 420 mil por dia. Na China, a linha Zhengzou-Xian também é de 500 km, mas a população tem renda baixa e a densidade demográfica da região não é tão alta como no Japão. Resultado: rodam apenas 11 composições por dia e o preju é elevado.
Ressaltou também Zhao Jian que em distâncias como essa - próxima da do projeto Campinas-São Paulo-Rio de Janeiro - os trens-bala são inadequados no período noturno. De fato, quem saísse de São Paulo à meia-noite chegaria ao Rio perto das 2 da manhã. Para fazer o quê? Aliás, não vi nada sobre como será enfrentada a concorrência dos ônibus interurbanos, que no Brasil funcionam relativamente bem - quase não se veem reclamações - e em larga medida superam essa dificuldade, pois no mesmo exemplo estariam no Rio perto das 5 da manhã.
A outra entrevista veio no dia 17, do professor Richard White, da Universidade Stanford (EUA), autor de livro sobre as ferrovias transcontinentais do seu país (Railroaded, W. W. Norton & Co., 2011). Também tratou das densidades populacional e econômica e adicionou que a viabilidade precisa ser assegurada pela conexão do trem com eficiente rede de metrôs, ônibus e trens de outros tipos. Mesmo uma linha entre São Francisco e Los Angeles, duas cidades grandes e muito ricas, exigiria grandes subsídios, pois a segunda é deficiente quanto a essa rede.
Richard White tocou também na questão social, afirmando que o subsídio a um trem-bala seria justificável se a população ligada ao projeto fosse seguramente beneficiada com menores congestionamentos e ganhos ambientais relativamente a outros meios de transporte, entre outros aspectos. Mas, olhando o Brasil, quem se beneficiaria dos subsídios governamentais a esse trem-bala? Seguramente, o público a ser atendido por ele não seria o maior nem o mais credenciado por critérios como esses.
Numa destinação alternativa, muito mais eficiente do ponto de vista de benefícios econômicos e sociais, mais credenciadas são as populações mais pobres das grandes cidades. São milhões que em condições danosas à saúde se espremem em ônibus, a respirar fumaça nas paradas e no trajeto, ao mesmo tempo que perdem um tempo enorme, que seria mais bem alocado a atividades em benefício próprio, como a educação.
Assim, os metrôs seriam uma aplicação muito mais adequada dos recursos do trem-bala, que permitiram construir uns 200 km de linhas dessa natureza. Mas fazer isso cabe aos Estados, que não têm dinheiro para tanto. Enquanto isso, o governo federal os tem em abundância, a ponto de esbanjá-los em subsídios desse e de outros tipos, vários deles à revelia de seu bom uso, inclusive na sua outorga aos menos necessitados.
Apesar da evidente vulnerabilidade do projeto, o governo seguirá insistindo nele. Conforme o diretor-geral da agência governamental (ir)responsável pela iniciativa, "a União é fiadora dessa equação e vai assumir o risco". Com essa disposição, e fragmentado o projeto para atrair empresas em etapas de sua especialidade, em algum momento haverá leilões bem-sucedidos para o governo, mas desastrosos para quem vai pagar a conta, como o leitor e seus descendentes. E ela não virá apenas de impostos e/ou dívida pública ampliada, mas também da oportunidade perdida de usar melhor os recursos.
Neste mundo globalizado, onde a competitividade é o nome do jogo, o que o Brasil vai ganhar com esse e outros projetos megalomaníacos, ineficientes no seu uso de recursos e socialmente iníquos, como a Copa e a Olimpíada, enquanto permanece carente em áreas como educação, saneamento e infraestrutura em geral? Nesse jogo da competitividade, com seu voluntarismo de más consequências, o governo federal quer agora estender aos trilhos sua prática de confundir competição com exibição.
ECONOMISTA (UFMG, USP E HARVARD), PROFESSOR ASSOCIADO À FAAP, É CONSULTOR ECONÔMICO E DE ENSINO SUPERIOR
Há um enorme canhão armado pelo governo federal. Tem entre seus alvos as suas próprias finanças e o bolso do contribuinte. A munição tem grosso calibre, de 45 ou mais bilhões de reais, vários a título de subsídios, e é um projétil na forma de trem. A última tentativa de dispará-lo foi no dia 11, quando um leilão de outorga não teve interessados. Felizmente, mas a artilharia governamental já anunciou que vai insistir. Com seus fragmentos, a bala danificaria também a alocação eficiente dos recursos públicos e a equidade social.
Fora do círculo governamental e dos interessados e interesseiros em torno dele, predominam opiniões em contrário. Nos últimos dias, duas interessantes matérias neste jornal trouxeram opiniões de fora do País.
Uma no dia 4, a de Zhao Jian, professor da Universidade de Transportes da China. Eu não sabia da existência de uma universidade desse tipo e seria ótimo se antes de imitar trens-bala - para não variar, o Brasil não tem tecnologia para pôr um deles na linha - copiássemos essa instituição de ensino superior chinesa para termos melhores projetos de transportes. Temos um Ministério do assunto, mas, a julgar pelo noticiário recente sobre ele, é muito focado em desvios.
Esse professor mostrou que, em seu país, arma semelhante já fez vários disparos. O resultado será "uma crise de dívida", um rombo de US$ 309 bilhões que deve chegar a US$ 618 bilhões em quatro anos, já que "não há muitos trens e passageiros nessas linhas". Trata-se de um importante aspecto da questão, pois é preciso uma grande densidade populacional e econômica para que a vantagem da rapidez de um trem-bala compense seus enormes custos. Como outros, ele aponta a linha Tóquio-Osaka, no Japão, como bem-sucedida. Ela opera na distância de 500 km, em que os trens-bala podem ser competitivos relativamente ao avião, e numa região que concentra 60% da população do país, e ao longo de sua linha estão 64% do PIB nacional. Isso gera uma demanda que permite 160(!) composições por dia, que transportam cerca de 150 milhões de passageiros por ano, o que dá perto de 420 mil por dia. Na China, a linha Zhengzou-Xian também é de 500 km, mas a população tem renda baixa e a densidade demográfica da região não é tão alta como no Japão. Resultado: rodam apenas 11 composições por dia e o preju é elevado.
Ressaltou também Zhao Jian que em distâncias como essa - próxima da do projeto Campinas-São Paulo-Rio de Janeiro - os trens-bala são inadequados no período noturno. De fato, quem saísse de São Paulo à meia-noite chegaria ao Rio perto das 2 da manhã. Para fazer o quê? Aliás, não vi nada sobre como será enfrentada a concorrência dos ônibus interurbanos, que no Brasil funcionam relativamente bem - quase não se veem reclamações - e em larga medida superam essa dificuldade, pois no mesmo exemplo estariam no Rio perto das 5 da manhã.
A outra entrevista veio no dia 17, do professor Richard White, da Universidade Stanford (EUA), autor de livro sobre as ferrovias transcontinentais do seu país (Railroaded, W. W. Norton & Co., 2011). Também tratou das densidades populacional e econômica e adicionou que a viabilidade precisa ser assegurada pela conexão do trem com eficiente rede de metrôs, ônibus e trens de outros tipos. Mesmo uma linha entre São Francisco e Los Angeles, duas cidades grandes e muito ricas, exigiria grandes subsídios, pois a segunda é deficiente quanto a essa rede.
Richard White tocou também na questão social, afirmando que o subsídio a um trem-bala seria justificável se a população ligada ao projeto fosse seguramente beneficiada com menores congestionamentos e ganhos ambientais relativamente a outros meios de transporte, entre outros aspectos. Mas, olhando o Brasil, quem se beneficiaria dos subsídios governamentais a esse trem-bala? Seguramente, o público a ser atendido por ele não seria o maior nem o mais credenciado por critérios como esses.
Numa destinação alternativa, muito mais eficiente do ponto de vista de benefícios econômicos e sociais, mais credenciadas são as populações mais pobres das grandes cidades. São milhões que em condições danosas à saúde se espremem em ônibus, a respirar fumaça nas paradas e no trajeto, ao mesmo tempo que perdem um tempo enorme, que seria mais bem alocado a atividades em benefício próprio, como a educação.
Assim, os metrôs seriam uma aplicação muito mais adequada dos recursos do trem-bala, que permitiram construir uns 200 km de linhas dessa natureza. Mas fazer isso cabe aos Estados, que não têm dinheiro para tanto. Enquanto isso, o governo federal os tem em abundância, a ponto de esbanjá-los em subsídios desse e de outros tipos, vários deles à revelia de seu bom uso, inclusive na sua outorga aos menos necessitados.
Apesar da evidente vulnerabilidade do projeto, o governo seguirá insistindo nele. Conforme o diretor-geral da agência governamental (ir)responsável pela iniciativa, "a União é fiadora dessa equação e vai assumir o risco". Com essa disposição, e fragmentado o projeto para atrair empresas em etapas de sua especialidade, em algum momento haverá leilões bem-sucedidos para o governo, mas desastrosos para quem vai pagar a conta, como o leitor e seus descendentes. E ela não virá apenas de impostos e/ou dívida pública ampliada, mas também da oportunidade perdida de usar melhor os recursos.
Neste mundo globalizado, onde a competitividade é o nome do jogo, o que o Brasil vai ganhar com esse e outros projetos megalomaníacos, ineficientes no seu uso de recursos e socialmente iníquos, como a Copa e a Olimpíada, enquanto permanece carente em áreas como educação, saneamento e infraestrutura em geral? Nesse jogo da competitividade, com seu voluntarismo de más consequências, o governo federal quer agora estender aos trilhos sua prática de confundir competição com exibição.
ECONOMISTA (UFMG, USP E HARVARD), PROFESSOR ASSOCIADO À FAAP, É CONSULTOR ECONÔMICO E DE ENSINO SUPERIOR
quarta-feira, 8 de junho de 2011
10 paise onde menos e mais se tem que trabalhar p/ pagar impostos
10 países onde menos e mais se tem que trabalhar para pagar impostos 2011
MENOS:
1. Maldivas: 0 horas
2. Emirados Árabes Unidos: 12 horas
3. Bahrein: 36 horas
4. Qatar: 36 horas
5. Bahamas: 58 horas
6. Luxemburgo: 59 horas
7. Omã: 62 horas
8. Suíça: 63 horas
9. Irlanda: 76 horas
10. Seicheles: 76 horas
MAIS:
1. Brasil: 2.600 horas
(são 500 horas a mais que o dobro do 2º colocado !! Mas pelo menos aqui os serviços públicos são impecáveis...)2 Bolívia: 1.080 horas
3. Vietnã: 941 horas
4. Nigéria: 938 horas
5. Venezuela: 864 horas
6. Bielorrússia: 798 horas
7. Chade: 732 horas
8. Mauritânia: 696 horas
9. Senegal: 666 horas
10. Ucrânia: 657 horas
Fonte: Banco Mundial (Doing Business 2011)
MENOS:
1. Maldivas: 0 horas
2. Emirados Árabes Unidos: 12 horas
3. Bahrein: 36 horas
4. Qatar: 36 horas
5. Bahamas: 58 horas
6. Luxemburgo: 59 horas
7. Omã: 62 horas
8. Suíça: 63 horas
9. Irlanda: 76 horas
10. Seicheles: 76 horas
MAIS:
1. Brasil: 2.600 horas
(são 500 horas a mais que o dobro do 2º colocado !! Mas pelo menos aqui os serviços públicos são impecáveis...)2 Bolívia: 1.080 horas
3. Vietnã: 941 horas
4. Nigéria: 938 horas
5. Venezuela: 864 horas
6. Bielorrússia: 798 horas
7. Chade: 732 horas
8. Mauritânia: 696 horas
9. Senegal: 666 horas
10. Ucrânia: 657 horas
Fonte: Banco Mundial (Doing Business 2011)
domingo, 5 de junho de 2011
A EMPADA E A AZEITONA - Ro9lf Kuntz, Estadão
O ministro da Educação, Fernando Haddad, foi ao Senado, ontem, para discutir as últimas grandes bobagens de seu Ministério e, portanto, para mais uma grande sessão de perda de tempo. Ele só foi convidado porque sua pasta, como tantos outros setores da administração federal, continua gastando energia e dinheiro com assuntos e objetivos errados. No Brasil, fala-se muito sobre a azeitona e cuida-se pouco da empada. Briga-se muito por um Código Florestal, enquanto defensores da floresta são assassinados. Mata-se à vontade, porque um Código muito mais importante, o Penal, pouco vale neste país. Encoraja-se o crime, porque outro Código, o de Processo, permite postergar por 11 anos a prisão de um assassino confesso. A ineficácia da lei penal, a persistência dos baixos padrões educacionais, a transformação do magistério em profissão de risco, os orçamentos de mentira e as tantas outras aberrações tipicamente brasileiras são sinais da mesma enfermidade.
O País paga caro por essa doença – a incapacidade crônica de dar prioridade às coisas mais importantes. Esse é o caso da educação. O Brasil entrou no clube das dez maiores economias. Só manterá essa conquista se der muito mais atenção a algumas condições fundamentais. Essas condições só podem ser muito ruins, num país classificado entre os últimos no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa). Em 2009, os estudantes brasileiros ficaram em 53.º lugar no exame de leitura, em 57.º no teste de Matemática e em 53.º na prova de Ciências. Participaram representantes de 65 países.
Será muito difícil uma classificação melhor, se as crianças brasileiras forem à escola para se acomodar no padrão do nóis fala assim memo, defendido pelos gênios da educação nacional. E isso é só uma parte da história. Crianças bem alfabetizadas, estimuladas a ler, bem treinadas em Matemática e familiarizadas com as Ciências provavelmente serão mais propensas a pensar com liberdade, a entender e a aceitar as diferenças e agir com civilidade e respeito. Essas qualidades serão realçadas se os alunos puderem aprender muito mais do que hoje sobre a história e a organização social e política de seu país – como se aprendia, antigamente, nas escolhas públicas. No Ministério da Educação, prefere-se gastar tempo e dinheiro com um kit anti-homofobia rejeitado pela presidente Dilma Rousseff. Não se trata, segundo ela, de um kit educativo, mas de propaganda de uma orientação sexual. Mais um erro, portanto, de um Ministério marcado por numerosas trapalhadas e provas de incompetência.
As falhas vêm de longe e foram estimuladas por oito anos de intensa demagogia. Cuidou-se de ampliar as portas do chamado ensino superior, como se a dificuldade de acesso às faculdades fosse o grande problema educacional. Não era nem podia ser o grande problema. Em 2009, apenas 50,9% dos jovens de 15 a 17 anos estavam matriculados em cursos compatíveis com sua idade. Essa era a média nacional. No Nordeste, apenas 39,2% frequentavam as séries adequadas. Mesmo no Sudeste, onde foram encontradas as melhores proporções, a taxa de escolarização líquida dos adolescentes daquela faixa era de apenas 60,5%. Repetência, ingresso tardio e dificuldades para avançar nos primeiros anos do ensino foram as explicações apontadas na pesquisa do IBGE. Entre 1999 e 2009, o número de anos de estudo das crianças de 14 anos pouco aumentou: passou de 5 para apenas 5,8.
No Brasil, só 37,9% dos jovens entre 18 e 24 anos tinham completado pelo menos 11 anos de estudos. Técnicos da Comissão Europeia tomam esse nível de escolaridade para avaliar a eficiência educacional de um país e sua capacidade de combater a pobreza. O Brasil obviamente vai muito mal nesse quesito, embora tenha havido melhoras em dez anos. Será necessário um avanço muito maior para se chegar a uma situação parecida com a de economias mais competitivas. Mas essas economias provavelmente continuarão progredindo e, portanto, o Brasil terá de realizar um esforço muito maior. Isso será impossível, se as prioridades atuais forem mantidas.
A presidente Dilma Rousseff parece haver percebido algumas das maiores bobagens educacionais. Isso deve explicar seu interesse em investir mais em formação técnica e, além disso, no treinamento para facilitar a saída do programa Bolsa-Família. Se essas mudanças ocorrerem, a demagogia será em parte substituída por políticas eficazes. Mas a vocação para errar o alvo é bem espalhada entre os Poderes da República. A revista Veja mostrou a favelização da periferia de Boa Vista, uma consequência da expulsão, pelo Judiciário, dos fazendeiros da Reserva Raposa-Serra do Sol. Com eles, foram-se muitos trabalhadores das fazendas. Não faltam companheiros ilustres ao ministro da Educação.
O País paga caro por essa doença – a incapacidade crônica de dar prioridade às coisas mais importantes. Esse é o caso da educação. O Brasil entrou no clube das dez maiores economias. Só manterá essa conquista se der muito mais atenção a algumas condições fundamentais. Essas condições só podem ser muito ruins, num país classificado entre os últimos no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa). Em 2009, os estudantes brasileiros ficaram em 53.º lugar no exame de leitura, em 57.º no teste de Matemática e em 53.º na prova de Ciências. Participaram representantes de 65 países.
Será muito difícil uma classificação melhor, se as crianças brasileiras forem à escola para se acomodar no padrão do nóis fala assim memo, defendido pelos gênios da educação nacional. E isso é só uma parte da história. Crianças bem alfabetizadas, estimuladas a ler, bem treinadas em Matemática e familiarizadas com as Ciências provavelmente serão mais propensas a pensar com liberdade, a entender e a aceitar as diferenças e agir com civilidade e respeito. Essas qualidades serão realçadas se os alunos puderem aprender muito mais do que hoje sobre a história e a organização social e política de seu país – como se aprendia, antigamente, nas escolhas públicas. No Ministério da Educação, prefere-se gastar tempo e dinheiro com um kit anti-homofobia rejeitado pela presidente Dilma Rousseff. Não se trata, segundo ela, de um kit educativo, mas de propaganda de uma orientação sexual. Mais um erro, portanto, de um Ministério marcado por numerosas trapalhadas e provas de incompetência.
As falhas vêm de longe e foram estimuladas por oito anos de intensa demagogia. Cuidou-se de ampliar as portas do chamado ensino superior, como se a dificuldade de acesso às faculdades fosse o grande problema educacional. Não era nem podia ser o grande problema. Em 2009, apenas 50,9% dos jovens de 15 a 17 anos estavam matriculados em cursos compatíveis com sua idade. Essa era a média nacional. No Nordeste, apenas 39,2% frequentavam as séries adequadas. Mesmo no Sudeste, onde foram encontradas as melhores proporções, a taxa de escolarização líquida dos adolescentes daquela faixa era de apenas 60,5%. Repetência, ingresso tardio e dificuldades para avançar nos primeiros anos do ensino foram as explicações apontadas na pesquisa do IBGE. Entre 1999 e 2009, o número de anos de estudo das crianças de 14 anos pouco aumentou: passou de 5 para apenas 5,8.
No Brasil, só 37,9% dos jovens entre 18 e 24 anos tinham completado pelo menos 11 anos de estudos. Técnicos da Comissão Europeia tomam esse nível de escolaridade para avaliar a eficiência educacional de um país e sua capacidade de combater a pobreza. O Brasil obviamente vai muito mal nesse quesito, embora tenha havido melhoras em dez anos. Será necessário um avanço muito maior para se chegar a uma situação parecida com a de economias mais competitivas. Mas essas economias provavelmente continuarão progredindo e, portanto, o Brasil terá de realizar um esforço muito maior. Isso será impossível, se as prioridades atuais forem mantidas.
A presidente Dilma Rousseff parece haver percebido algumas das maiores bobagens educacionais. Isso deve explicar seu interesse em investir mais em formação técnica e, além disso, no treinamento para facilitar a saída do programa Bolsa-Família. Se essas mudanças ocorrerem, a demagogia será em parte substituída por políticas eficazes. Mas a vocação para errar o alvo é bem espalhada entre os Poderes da República. A revista Veja mostrou a favelização da periferia de Boa Vista, uma consequência da expulsão, pelo Judiciário, dos fazendeiros da Reserva Raposa-Serra do Sol. Com eles, foram-se muitos trabalhadores das fazendas. Não faltam companheiros ilustres ao ministro da Educação.
terça-feira, 22 de março de 2011
UM MUNDO MAIS COMPLEXO - Celso Ming (Estadão)
UM MUNDO MAIS COMPLEXO - Celso Ming (Estadão)
O ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, parece tomado por uma crise de identidade.
Assumiu seu ministério prometendo defender ferrenhamente os interesses da empresa nacional. Nem completou três meses de administração e já confessa, como confessou aos empresários paulistas nesta segunda-feira, que já não sabe mais o que é para ser defendido: “Temos dificuldades para definir o que é indústria nacional”, afirmou, em São Paulo.
É natural que assim seja. Nem mesmo a brasileiríssima jabuticaba, tão citada, pode ser reconhecida como produto genuinamente nacional, porque há notícias de que o Paraguai e a Bolívia também a produzem. Em todo o caso, o ministro do Desenvolvimento parece surpreendido com os efeitos de uma economia cada vez mais globalizada.
Pimentel entendeu que, em seu posto, deveria agir com rigor para defender o produto nacional contra a predação provocada pelo produto importado, e logo percebeu que o produto nacional é em grande parte elaborado com peças e componentes importados.
A indústria automobilística, por exemplo, gostaria de importar peças sem taxa aduaneira, mas, com isso, prejudica a indústria de autopeças. O setor têxtil, por sua vez, quer, algo genericamente, proteção ao produto acabado e liberação comercial da matéria-prima. Mas fica difícil colocar o princípio em prática. Como a fibra é matéria-prima da indústria de fiação; o fio, matéria-prima da indústria de tecelagem; e o tecido, matéria-prima da indústria de confecção, fica mesmo difícil entender o que é para ter importações liberadas e o que precisa de defesa comercial.
O presidente americano, Barack Obama, não tem a mesma dificuldade agora enfrentada por Pimentel. Nessa visita ao Brasil, ele não alardeou que estava empenhado em defender a empresa americana. Seu objetivo, avisou ele, é defender o emprego nos Estados Unidos (jobs). Ele não está lá para defender os interesses da General Motors, da Ford, da GE, da Dupont ou da Procter & Gamble, que tanto estão nos Estados Unidos como estão na China, no Brasil e em toda parte. Ele está lá para aumentar o emprego nos Estados Unidos.
O mundo ficou mais complexo, a economia está ainda mais e já não é tão simples executar uma política de defesa da indústria nacional. De todo modo, a melhor maneira de defender empregos e a atividade econômica no País é garantir condições de competitividade ao setor produtivo no Brasil.
Ao contrário do que disse Pimentel nesta segunda-feira, a principal tarefa não consiste em definir o que seja indústria nacional. A missão que realmente importa é diminuir o custo Brasil para que toda a atividade econômica, não importando o controle do seu capital, seja competitiva no País.
E reduzir custos é reduzir a carga tributária, desonerar encargos sociais, baixar os juros, fazer as reformas e dotar o Brasil de uma infraestrutura rápida, funcional e barata.
Esse objetivo é ainda mais premente agora, quando já não é mais possível, como era antes, compensar custos elevados de produção com um câmbio desvalorizado, artifício que barateava o industrializado no Brasil e encarecia o importado, mas pouco fazia para dar competitividade ao produto brasileiro.
O ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, parece tomado por uma crise de identidade.
Assumiu seu ministério prometendo defender ferrenhamente os interesses da empresa nacional. Nem completou três meses de administração e já confessa, como confessou aos empresários paulistas nesta segunda-feira, que já não sabe mais o que é para ser defendido: “Temos dificuldades para definir o que é indústria nacional”, afirmou, em São Paulo.
É natural que assim seja. Nem mesmo a brasileiríssima jabuticaba, tão citada, pode ser reconhecida como produto genuinamente nacional, porque há notícias de que o Paraguai e a Bolívia também a produzem. Em todo o caso, o ministro do Desenvolvimento parece surpreendido com os efeitos de uma economia cada vez mais globalizada.
Pimentel entendeu que, em seu posto, deveria agir com rigor para defender o produto nacional contra a predação provocada pelo produto importado, e logo percebeu que o produto nacional é em grande parte elaborado com peças e componentes importados.
A indústria automobilística, por exemplo, gostaria de importar peças sem taxa aduaneira, mas, com isso, prejudica a indústria de autopeças. O setor têxtil, por sua vez, quer, algo genericamente, proteção ao produto acabado e liberação comercial da matéria-prima. Mas fica difícil colocar o princípio em prática. Como a fibra é matéria-prima da indústria de fiação; o fio, matéria-prima da indústria de tecelagem; e o tecido, matéria-prima da indústria de confecção, fica mesmo difícil entender o que é para ter importações liberadas e o que precisa de defesa comercial.
O presidente americano, Barack Obama, não tem a mesma dificuldade agora enfrentada por Pimentel. Nessa visita ao Brasil, ele não alardeou que estava empenhado em defender a empresa americana. Seu objetivo, avisou ele, é defender o emprego nos Estados Unidos (jobs). Ele não está lá para defender os interesses da General Motors, da Ford, da GE, da Dupont ou da Procter & Gamble, que tanto estão nos Estados Unidos como estão na China, no Brasil e em toda parte. Ele está lá para aumentar o emprego nos Estados Unidos.
O mundo ficou mais complexo, a economia está ainda mais e já não é tão simples executar uma política de defesa da indústria nacional. De todo modo, a melhor maneira de defender empregos e a atividade econômica no País é garantir condições de competitividade ao setor produtivo no Brasil.
Ao contrário do que disse Pimentel nesta segunda-feira, a principal tarefa não consiste em definir o que seja indústria nacional. A missão que realmente importa é diminuir o custo Brasil para que toda a atividade econômica, não importando o controle do seu capital, seja competitiva no País.
E reduzir custos é reduzir a carga tributária, desonerar encargos sociais, baixar os juros, fazer as reformas e dotar o Brasil de uma infraestrutura rápida, funcional e barata.
Esse objetivo é ainda mais premente agora, quando já não é mais possível, como era antes, compensar custos elevados de produção com um câmbio desvalorizado, artifício que barateava o industrializado no Brasil e encarecia o importado, mas pouco fazia para dar competitividade ao produto brasileiro.
sábado, 5 de março de 2011
SÉTIMO PIB NO MUNDO - Ralph Hofmann
SÉTIMO PIB NO MUNDO
Ralph J. Hofmann
No seu show e disco “Eu sou o espetáculo” da década de 60 o comediante José de Vasconcelos subitamente dizia uma só frase que após alguns instantes causava frouxos de riso na platéia. Era algo como: “Radio PRk5 transmitindo em Onda Medias da cidade de Jacaré das Várzeas para o MUNDO.”.
Acho que indiretamente foi este conto que despertou uma ojeriza pela jactância, por contar vantagem. Trabalhei para várias empresas que diziam ser “maior do Brasil”, “maior da América do Sul”, “maior das Américas” ou até “quarta maior do mundo”. Todas tiveram desgostos após usar estes slogans.
O poeta americano Stephen Vincent Benét tem o conto um menino que vai crescendo, estudando, passando a trabalhar, casando, sendo pai de filhos e chegando à idade vetusta. Quando menino sempre que ele ficava saliente e jactava de alguma coisa a avó lhe dizia. Não chames a atenção do “fool killer’, do “matador de idiotas”“. Ao longo da vida adolescente, jovem, adulto e velho ele sempre se lembra da admoestação sempre que algum triunfo surge em sua vida e se sente tentado a contar vantagem. No fim da vida ele esta sentado na varanda, plenamente realizado e ouve os passos do “fool killer" chegando e considera que já é tempo de deixar o mesmo alcançá-lo, que chegou a vez de deixar as coisas acontecer.
Aqui no Brasil houve um par de anos em que nosso PIB cresceu violentamente. Estávamos no “Milagre Brasileiro” do Delfim Neto, década de sessenta. Realmente, nossa aposta na soja virara uma fonte de reservas, nossa metalurgia e mineração cresciam, por conta dos triunfos no campo, nossa produção e venda de equipamentos aumentava. Mas nossa inflação era alta ainda, e o crescimento do PIB não era tão alto assim. Subitamente, e por quase dois anos as bolsas brasileiras estouraram. Os resultados eram astronômicos. Na realidade faltavam ações para atender as pessoas que desejavam entrar na bolsa. Uma manhã alguns corretores começaram a comprar e vender ações da firma MERPOSA. Foi a grande ação do dia. Atingiu um crescimento incrível. Finalmente alguém perguntou: “Mas o que e a MERPOSA? “. Não existia, era uma blague. Correspondia a Merda em Pó S.A.
Evidentemente um dia esta bolha terminou e os investidores menos safos perderam seus pé de meias. Contudo com base no volume de operações da bolsa nosso PIB foi às alturas naquele ano. No mesmo ano nossa inflação foi de 13%, depois de anos por volta de 25%. Os observadores mais críticos diziam que houvera uma manipulação. A inflação deveria ser de no mínimo 18%. Uma das medidas usadas pelo governo para mascarar a inflação foi fingir que o petróleo não havia aumentado 110% nos últimos meses do ano. A crise (do primeiro e segundo choques do petróleo) ficou para o próximo governo.
Naqueles anos (1972-3) andávamos de cabeça erguida, o Brasil era tudo, descobrira a pedra filosofal. Nossa economia seria uma das maiores em poucos anos. Divulgávamos isto aos sete ventos. Na realidade levou quase 25 anos para que chegasse a colocar em ordem nosso galinheiro e passamos por níveis de inflação incríveis e PIBs negativos igualmente acachapantes.
É por isto que, ao ver em letras enormes a primeira página dos jornais ostentando a chamada “Brasil será sétimo PIB do mundo este ano diz Mantega” não consigo sentir qualquer entusiasmo. No ano passado o governo estimulou o endividamento do consumidor para criar volume de vendas, e, portanto PIB. Com isto forçou ao máximo a capacidade de produção e estimulou ao máximo certas importações. Além disto facilitou transferências de recursos para a campanha política, o que não deixa de ser um aumento de atividade econômica.
Por isto mesmo neste ano o governo se obriga a restringir gastos e restringir crédito, pois houve efeitos inflacionários por vários motivos, alta demanda, falta de estrutura e excesso de moeda no sistema. Todas essas estimuladas pelo ministério de Mantega mesmo ante tentativas de controle, no tocante à moeda, pelo Banco Central.
Prever 7% de crescimento do PIB ou sermos o 7º. PIB no mundo este ano, mesmo com o preço das commodities brasileiras nas alturas parece-me arriscado. A China vai ter problemas e seguir exportando nos níveis atuais. Se tiver vai reduzir compras, se reduzir compras estaremos sentados em cima de supersafras, em cima de minério, etc.
Se eu fosse Mantega estaria com o ouvido bem afiado para ver se o “fool killer “ não está se aproximando.
Ralph J. Hofmann
No seu show e disco “Eu sou o espetáculo” da década de 60 o comediante José de Vasconcelos subitamente dizia uma só frase que após alguns instantes causava frouxos de riso na platéia. Era algo como: “Radio PRk5 transmitindo em Onda Medias da cidade de Jacaré das Várzeas para o MUNDO.”.
Acho que indiretamente foi este conto que despertou uma ojeriza pela jactância, por contar vantagem. Trabalhei para várias empresas que diziam ser “maior do Brasil”, “maior da América do Sul”, “maior das Américas” ou até “quarta maior do mundo”. Todas tiveram desgostos após usar estes slogans.
O poeta americano Stephen Vincent Benét tem o conto um menino que vai crescendo, estudando, passando a trabalhar, casando, sendo pai de filhos e chegando à idade vetusta. Quando menino sempre que ele ficava saliente e jactava de alguma coisa a avó lhe dizia. Não chames a atenção do “fool killer’, do “matador de idiotas”“. Ao longo da vida adolescente, jovem, adulto e velho ele sempre se lembra da admoestação sempre que algum triunfo surge em sua vida e se sente tentado a contar vantagem. No fim da vida ele esta sentado na varanda, plenamente realizado e ouve os passos do “fool killer" chegando e considera que já é tempo de deixar o mesmo alcançá-lo, que chegou a vez de deixar as coisas acontecer.
Aqui no Brasil houve um par de anos em que nosso PIB cresceu violentamente. Estávamos no “Milagre Brasileiro” do Delfim Neto, década de sessenta. Realmente, nossa aposta na soja virara uma fonte de reservas, nossa metalurgia e mineração cresciam, por conta dos triunfos no campo, nossa produção e venda de equipamentos aumentava. Mas nossa inflação era alta ainda, e o crescimento do PIB não era tão alto assim. Subitamente, e por quase dois anos as bolsas brasileiras estouraram. Os resultados eram astronômicos. Na realidade faltavam ações para atender as pessoas que desejavam entrar na bolsa. Uma manhã alguns corretores começaram a comprar e vender ações da firma MERPOSA. Foi a grande ação do dia. Atingiu um crescimento incrível. Finalmente alguém perguntou: “Mas o que e a MERPOSA? “. Não existia, era uma blague. Correspondia a Merda em Pó S.A.
Evidentemente um dia esta bolha terminou e os investidores menos safos perderam seus pé de meias. Contudo com base no volume de operações da bolsa nosso PIB foi às alturas naquele ano. No mesmo ano nossa inflação foi de 13%, depois de anos por volta de 25%. Os observadores mais críticos diziam que houvera uma manipulação. A inflação deveria ser de no mínimo 18%. Uma das medidas usadas pelo governo para mascarar a inflação foi fingir que o petróleo não havia aumentado 110% nos últimos meses do ano. A crise (do primeiro e segundo choques do petróleo) ficou para o próximo governo.
Naqueles anos (1972-3) andávamos de cabeça erguida, o Brasil era tudo, descobrira a pedra filosofal. Nossa economia seria uma das maiores em poucos anos. Divulgávamos isto aos sete ventos. Na realidade levou quase 25 anos para que chegasse a colocar em ordem nosso galinheiro e passamos por níveis de inflação incríveis e PIBs negativos igualmente acachapantes.
É por isto que, ao ver em letras enormes a primeira página dos jornais ostentando a chamada “Brasil será sétimo PIB do mundo este ano diz Mantega” não consigo sentir qualquer entusiasmo. No ano passado o governo estimulou o endividamento do consumidor para criar volume de vendas, e, portanto PIB. Com isto forçou ao máximo a capacidade de produção e estimulou ao máximo certas importações. Além disto facilitou transferências de recursos para a campanha política, o que não deixa de ser um aumento de atividade econômica.
Por isto mesmo neste ano o governo se obriga a restringir gastos e restringir crédito, pois houve efeitos inflacionários por vários motivos, alta demanda, falta de estrutura e excesso de moeda no sistema. Todas essas estimuladas pelo ministério de Mantega mesmo ante tentativas de controle, no tocante à moeda, pelo Banco Central.
Prever 7% de crescimento do PIB ou sermos o 7º. PIB no mundo este ano, mesmo com o preço das commodities brasileiras nas alturas parece-me arriscado. A China vai ter problemas e seguir exportando nos níveis atuais. Se tiver vai reduzir compras, se reduzir compras estaremos sentados em cima de supersafras, em cima de minério, etc.
Se eu fosse Mantega estaria com o ouvido bem afiado para ver se o “fool killer “ não está se aproximando.
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
LEILÃO TREM-BALELA ADIADO PARA ABRIL 2011
Apesar da correria, a voracidade pelos entrelaçamentos contabéis "y cositas mas" as coisas vão se ajeitando. Governo anuncia o adiamento do leilão do já famoso trem-balela. Cedeu às pressões da comunidade industrial/financeira mundial em parceria com empresas "nacionais'. Vinte e nove de abril de 2011 é a nova data, ganha-se tempo para remendar os muitos furos de um projeto atabalhoado, típico de incompetentes ou mal intencionados.Coisas do destino: 30 de abril é o Dia Nacional do Ferroviário. Neste episódio tivemos uma pérola de declaração do Diretor Geral da ANTT, Bernardo Figueiredo: "O que houve foi uma manifestação ao governo que esta data estava impossibilitando de alguns consórcios participarem. O governo avaliou politicamente essa questão e achou(?) que era mais importante ter um processo competitivo do que manter a data, mas essa é uma decisão política de governo." Teremos o incremento da caça ao jabá em parte do primeiro semestre de 2011
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